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ECONOMIA DE SANTA CATARINA: Análise das Características Produtivas

SUMÁRIO

1 PRODUTO INTERNO BRUTO: Características Setoriais.

2 ESTRUTURA PRODUTIVA AGRÍCOLA

2.1 Distribuição produtiva regional

2.2 Número e Área dos Estabelecimentos e Pessoal Ocupado

2.3 Produção Agropecuária

2.4 Exportações do Agronegócio

3 ESTRUTURA INDUSTRIAL

3.1 Distribuição Produtiva Regional

3.2 Produto Interno Bruto Industrial, Valor da Transformação Industrial e Valor Bruto da Produção Industrial

3.3 Especificidades industriais por intensidade tecnológica de Santa Catarina.

3.4 Especificidades setoriais por divisão do CNAE

4 COMÉRCIO EXTERIOR

4.1 Balança Comercial

5 SÍNTESE CONCLUSIVA

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Evolução do PIB do Brasil e de Santa Catarina – 2002-2010

Gráfico 2: Variação percentual interanual do PIB do Brasil e de Santa Catarina – 2003 - 2010

Gráfico 3: Posição do PIB por Estado do Brasil - 2010

Gráfico 4: Participação do PIB total e industrial de Santa Catarina em relação ao PIB nacional - 1995 - 2010

Gráfico 5: Evolução da participação percentual do VBPI e do VTI de Santa Catarina em relação ao Brasil - 1996-2010

Gráfico 6: Relação VTI/VBPI de Santa Catarina e do Brasil - 1996-2010

Gráfico 7: Participação percentual do VBPI na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Catarina - 1996 a 2010

Gráfico 8: Participação percentual do VTI na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Cataria – 1996-2010

Gráfico 9: Participação percentual do número de estabelecimentos na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Catarina - 1996-2010

Gráfico 10: Participação percentual do Pessoal Ocupado na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Catarina – 1996-2010

Gráfico 11: Balança comercial de Santa Catarina – 2001-2011 (US$ milhões FOB)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: PIB e PIB per capita e outros indicadores de Santa Catarina - 2010 e 2011

Tabela 2: Composição do PIB de Santa Catarina - 1995 - 2010 (% a preços básicos)

Tabela 3: Posição de PIB e da renda per capita de Santa Catarina na economia brasileira – 1985, 1990, 1995, 2000, 2005-2010

Tabela 4: Evolução do número de estabelecimentos em Santa Catarina e no Brasil, segundo sua classe de tamanho – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006

Tabela 5: Evolução da área dos estabelecimentos em Santa Catarina, segundo sua classe de tamanho – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006

Tabela 6: Utilização das terras agropecuárias em Santa Catarina e no Brasil, segundo a classe de atividades - – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006

Tabela 7: Número de estabelecimentos, segundo a condição legal das terras em Santa Catarina - 1985, 1995 e 2006

Tabela 8: Pessoal ocupado em atividades agropecuárias em Santa Catarina e no Brasil – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006

Tabela 9: Valor bruto da produção dos principais produtos da agropecuária de Santa Catarina de 2000 a 2009, segundo a atividade econômica – 2000, 2005 – 2009

Tabela 10: Rebanho animal em Santa Catarina e no Brasil – 2000, 2005, 2008 e 2011

Tabela 11: Exportações do agronegócio catarinense no período 2000, 2003, 2006, 2009 e 2010

Tabela 12: Participação percentual do VBPI na indústria segundo divisões CNAE em Santa Catarina - 1996 - 2010

Tabela 13: Participação percentual do VTI na indústria segundo divisões CNAE em Santa Catarina - 1996 - 2010

Tabela 14: Balança comercial de Santa Catarina – 2001-2011 (US$ milhões FOB)

Tabela 15: Exportações Brasil e Santa Catarina – 2011 (US$ milhões FOB)

Tabela 16: Exportação Santa Catarina – 2011 (US$ mil FOB)

Tabela 17: Principais produtos exportados por Santa Catarina - 2001 e 2011 ( US$ FOB)

Tabela 18: Os 10 principais países de destino das exportações de Santa Catarina - 2001 e 2011 (US$ mil FOB)

Tabela 19: Principais produtos importados por Santa Catarina - 2001 e 2011 (US$ FOB)

Tabela 20:- Os 10 principais países de quem Santa Catarina importou produtos - 2001 e 2011 (US$ mil FOB)

LISTA DE QUADROS

Quadro 1:Principais produtos do setor agrícola do Estado de Santa Catarina, por mesorregião e principais municípios. 2010

Quadro 2: Incidência espacial de setores selecionados da indústria de Santa Catarina - 2006



ECONOMIA DE SANTA CATARINA: Análise da Estrutura Produtiva

A economia do Estado de Santa Catarina contribui de forma efetiva para a produção de riqueza do Brasil. A contribuição de seus setores produtivos permite colocá-la entre as dez principais economias do país. Nos últimos tempos, a exemplo do Brasil, esta economia vem passando por transformações em face de mudanças expressas pela abertura do mercado, desregulamentação econômica, decisões de investimentos empresariais, internacionalização da base produtiva, especialização produtiva, intensificação da relação universidade-empresa, entre outros aspectos. O objetivo do presente texto é apresentar os resultados da economia catarinense em termos de comportamento do PIB, estruturas produtivas agropecuária e industrial e aspectos do comércio exterior, com ênfase, principalmente, nos anos 2000.

1 PRODUTO INTERNO BRUTO: Características Setoriais

Santa Catarina possui uma extensão territorial de 95.285 Km2, que representa 1,12% da brasileira e 16,91% da região Sul. A população catarinense, da ordem de 6,0 milhões de pessoas, representou, em 2010, 3,28% da população total brasileira e 22,82% da região Sul. O PIB estadual – valor que expressa a produção de bens e serviços – situou-se em R$ 152,5 milhões em 2010, simbolizando 4,04% do PIB do Brasil e 24,50% da região Sul. Por sua vez, o PIB per-capita, para o mesmo ano, alcançou a cifra de R$ 25,1 mil. Em complemento, as relações com o comércio exterior, em 2011, apontaram os valores de US$ 9.051 milhões para as exportações e, em patamar superior, US$ 14.856 milhões. Em termos relativos, os valores alcançados pelas importações superaram os das exportações. As importações de Santa Catarina representaram 6,57% da nacional e 30,14% da regional, enquanto as exportações ficaram em 3,59% e 19,73%, respectivamente.

Considerando as representatividades setoriais no PIB de Santa Catarina, no período de 1995 a 2010, observa-se que o setor de serviços constituiu o segmento com maior participação ao longo do tempo. Segundo a Tabela 1, este setor mostrou trajetória crescente, sobretudo nos últimos anos, alcançando, em 2010, a participação de 59,2%, sendo que, ao longo do período, registrou a máxima participação de 59,4% em 1998 e a mínima de 54,4% em 2004. Por sua vez, o setor industrial manteve participação oscilante, ainda que pequena, com tendência à estabilização da participação ao longo do tempo. Neste sentido, foram registradas as participações de 34,7%, em 1995, e de 34,1% em 2010. O setor agropecuário constituiu o segmento a perder participação no processo de criação de riqueza produtiva estadual, seguindo trajetória descendente. Em 2010 alcançou 6,7% do PIB estadual, representatividade menor que a registrada em 1995, 9,1%.

Tabela 1: PIB e PIB per capita e outros indicadores de Santa Catarina - 2010 e 2011.

Itens

Total

Participação em relação ao Brasil

Participação em relação à Região Sul

Área Total Km2

95.285

1,12%

16,91%

População – mil – 2010

6.053

3,28%

22,82%

Densidade – pop/km2 - 2010

63,53

-

-

PIB – R$ milhões – 2010

152.482

4,04%

24,50%

PIB – per capita – R$ - 2010

25.191

-

-

Exportação – US$ milhões - 2011

9.051,05

3,59%

19,73%

Importação – US$ - milhões - 2011

14.856,9

6,57%

30,14%

Fonte: IBGE – Contas Regionais

Ao se fazer a análise da indústria em relação à série encadeada, vê-se que o crescimento do PIB catarinense, de 54,4% de 1995 até 2010, vem com um crescimento registrado principalmente no setor de serviços, único setor da economia que foi capaz de sustentar um aumento na sua participação no valor adicionado bruto catarinense. O setor de serviços cresceu, em termos relativos, 3%, considerando os anos 1995 e 2010. Tanto os setores industrial como de agropecuária apresentaram queda na participação do valor adicionado bruto. A queda mais drástica, ao se comparar 1995 com 2010, foi a do setor de agropecuária, que decresceu 2,4%. A indústria mostrou uma queda de apenas 0,6% na sua participação, realizando a mesma comparação em termos de período.

No setor de serviços, tem-se o crescimento do subsegmento comércio, registrando, no último triênio, 2008, 2009 e 2010, média percentual de 15%, diferente do observado no primeiro triênio, 1995, 1996 e 1997, cuja média foi próxima de 12%. Assim como, constatou-se o crescimento do subsegmento intermediação financeira, seguros e previdência complementar, com percentuais no último triênio apontando para uma porcentagem média próxima de 4,5%, enquanto, no triênio inicial do período considerado, 1995-2010, foi em torno de 2,5%.

Tabela 2: Composição do PIB de Santa Catarina - 1995 - 2010 (% a preços básicos).

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Total

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

Agropecuária

9,1

8,2

7,9

8,0

8,5

8,8

8,9

9,0

10,8

9,7

8,3

6,9

7,2

8,0

8,2

6,7

Indústria

34,7

33,6

33,0

32,7

33,2

35,6

34,9

33,4

32,9

35,9

33,9

34,5

35,7

34,4

32,8

34,1

Indústria extrativa

1,6

1,6

1,8

1,7

1,7

2,0

1,7

0,4

0,3

0,4

0,4

0,3

0,3

0,4

0,3

0,5

Indústria de transformação

28,0

26,1

25,0

24,5

25,6

26,1

25,7

24,7

24,2

26,0

24,5

24,4

24,2

23,3

22,3

22,5

Produção e distribuição de eletricidade e gás, água e esgoto e limpeza urbana

0,9

1,1

1,2

1,0

1,1

2,9

3,0

3,8

3,5

4,5

4,4

4,9

6,0

5,7

4,9

5,3

Construção civil

4,3

4,8

5,1

5,4

4,9

4,6

4,4

4,5

4,8

5,0

4,7

4,8

5,2

5,1

5,2

5,7

Serviços

56,2

58,2

59,1

59,4

58,3

55,6

56,2

57,6

56,3

54,4

57,7

58,6

57,1

57,5

59,0

59,2

Comércio

12,3

11,5

12,0

12,5

12,3

11,3

11,2

10,6

11,7

12,2

13,6

14,4

13,6

15,2

15,2

15,7

Intermediação financeira, seguros e previdência complementar e serviços relacionados

3,1

2,5

2,3

2,6

2,2

3,2

3,5

5,0

4,0

3,5

4,2

4,5

4,7

4,1

4,5

4,7

Administração, saúde e educação públicas e seguridade social

11,2

10,1

9,8

10,8

11,1

10,2

10,2

11,0

10,7

9,9

10,6

10,9

11,1

11,1

11,4

11,5

Outros serviços

29,5

34,2

35,0

33,6

32,6

30,9

31,3

31,0

30,0

28,8

29,3

28,9

27,7

27,1

27,9

27,3

Fonte: Contas Regionais

Quanto à participação da indústria no PIB estadual, a indústria de transformação foi, ao longo do período, considerada o subsegmento mais representativo, ainda que com participação decrescente, já que o percentual de 28% em 1995 nunca mais fora registrado e alcançou, em 2010, uma de suas menores participações. Nesse ano, dos 34,1% de participação da indústria no valor adicionado bruto total de Santa Catarina, a indústria de transformação contribuiu com 22,5%. Nestes termos, a participação da indústria de transformação no setor industrial no PIB estadual ficou em 67%, portanto, responsabilizando-se por 2/3 do valor gerado no setor secundário. Por sua vez, o subsegmento, indústria extrativa, teve uma participação irrisória nos anos considerados, oscilando entre o menor percentual registrado, 0,3%, e o maior, 1,6%. Ao passo que outro subsegmento, indústria de construção civil, elevou sua participação, mas pequena, variando entre 4,3% e 5,7%, respectivamente, entre 1995 e 2010.

Levando em conta a evolução do PIB de Santa Catarina em comparação com o registrado no Brasil, no período de 2002 a 2010, observa-se, segundo o Gráfico 1, que, a partir de 2006, as taxas de crescimento catarinense foram menores do que a brasileira. Nos três últimos anos, 2008, 2008 e 2010, os percentuais de Santa Catarina foram 22,4%; 22,1% e 28,2% em relação ao valor de 2002. Enquanto os valores acrescidos, em termos relativos, do Brasil foram 26,5%; 26,1% e 34,7%, para os respectivos anos e base anual de referência.

Gráfico 1: Evolução do PIB do Brasil e de Santa Catarina – 2002-2010

Fonte: IBGE – Contas Regionais

Obs: 2002 = 100

Gráfico 2: Variação percentual interanual do PIB do Brasil e de Santa Catarina – 2003 - 2010

Fonte: IBGE – Contas Regionais

Considerando o período de 2003 a 2010, registros mostraram variação positiva do PIB de Santa Catarina superior ao do Brasil em apenas 2 anos, 2003 e 2004, conforme o Gráfico 2. Assim como, no ano imediato ao início da crise econômica internacional, 2009, a redução relativa foi menor na economia catarinense do que na brasileira. Nos demais anos, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2010, portanto, em 5 anos, a variação percentual interanual brasileira foi superior à catarinense.

Santa Catarina posiciona-se como a 7ª. economia do país, considerando como parâmetro o valor do PIB anual. Tal posição encontra-se na maioria dos anos considerados, de acordo com a Tabela 3. De 10 registros, o Estado, em apena dois anos, 2008 e 2009, ocupou a 6ª posição entre as demais unidades federativas do país. Levando em conta apenas o ano de 2010, segundo o Gráfico 3, o PIB de Santa Catarina referendou a 7ª posição, sendo superado por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia.

Tabela 3: Posição do PIB e da renda per capita de Santa Catarina na economia brasileira – 1985, 1990. 1995, 2000, 2005-2010.

Ranking

1985

1990

1995

2000

2005

2006

2007

2008

2009

2010

PIB

7º.

7º.

7º.

7º.

7º.

7º.

7º.

6º.

6º.

7º.

Renda per capita

6º.

6º.

5º.

5º.

4º.

4º.

5º.

4º.

4º.

4º.

Fonte: IBGE – Contas Regionais

Gráfico 3: Posição do PIB por Estado do Brasil - 2010

Fonte: IBGE – Contas Regionais

2 ESTRUTURA PRODUTIVA AGRÍCOLA

2.1 Distribuição produtiva regional

No tocante ao setor agrícola, o Estado de Santa Catarina apresenta produção distribuída em várias regiões de seu território, com características de algumas terem maior especialização produtiva que outras, bem como assumirem menor relevância que os produtos industriais e de prestação de serviços. Em algumas regiões do Estado predomina a pequena propriedade, cuja produção mantém vínculos estreitos com a indústria de alimentos. Em outras, o perfil característico da produção agrícola está fortemente associado à maior extensão de terra para seu desenvolvimento. Da mesma forma, há regiões nas quais a produção, neste setor, não exibe característica marcante de especialização produtiva, tendo perfil mais diversificado em sua pauta de produtos. Enquanto, em outras regiões, os produtos da agricultura não são tão relevantes quanto os gerados pelas atividades industriais e de serviços desenvolvidas.

Fachinello e Santos Filho (2010) destacam algumas características do referido setor em seis mesorregiões do Estado - Oeste, Norte, Serrana, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul Catarinense - segundo critério definido pelo IBGE, conforme o Quadro 1. A região Oeste é tida como a principal região agrícola, de forte predominância da pequena propriedade, sendo que nela se concentra praticamente 50% da produção agropecuária, com destaque para a produção animal e a lavoura temporária. Dentre os principais produtos, estão aves, suínos, milho, soja e maçã. A região Norte é caracterizada por apresentar estrutura fundiária diversificada, tendo a presença de grandes, mas também de médios e pequenos estabelecimentos agrícolas. As principais atividades econômicas deste setor na região são: pecuária extensiva, pecuária leiteira, arroz, hortaliças, fruticultura e silvicultura.

Por sua vez, a região Serrana, formada de médias e grandes propriedades agrícolas, teve a pecuária extensiva e o extrativismo madeireiro como base econômica, por muitos anos. Porém, nos últimos anos, o reflorestamento ganhou importante espaço, principalmente por fornecer matéria-prima para a indústria local de papel e celulose e móveis. Nesta região, também tem-se verificado a extensão agrícola através da produção de soja, alho e maçã. Na região do Vale do Itajaí, a produção está voltada, sobretudo, para o fumo, arroz, cebola, banana, madeira e leite, visto que a agricultura fornece seus produtos para serem beneficiados pelas empresas agroindustriais localizadas nesta região.

Mesorregiões

Principais municípios

Características Produtivas

Oeste

Chapecó, Joaçaba, Concordia, São Miguel do Oeste, Campos Novos, Xanxerê......

Aves, suínos, soja e maçã

Norte

Joinville, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Mafra, Rio Negrinho, Porto União

Pecuária extensiva e leiteira, arroz, hortaliças, fruticultura e silvicultura

Serrana

Lages, São Joaquim, Urubici, Alfredo Wagner, Urupema, Bom Retiro........

Extrativismo madeireiro, reflorestamento, soja, alho e maçã

Vale do Itajaí

Blumenau, Itajaí, Brusque, Rio do Sul, Indaial, Timbó.........

Fumo, arroz, cebola, banana, madeira e leite

Grande Florianópolis

Florianópolis, São José, Biguaçu, Angelina, Antonio Carlos, Anitápolis........

Banana, laranja, uva, cebola, fumo, tomate e leite

Sul Catarinense

Criciúma, Tubarão, Laguna, Turvo, Meleiro, Urussanga........

Fumo, arroz, fruticultura, mandioca e ovos

Quadro 1:Principais produtos do setor agrícola do Estado de Santa Catarina, por mesorregião e principais municípios. 2010.

Fonte: Elaborado a partir de Fachinello e Santos Filho (2010)

A região da Grande Florianópolis, dentre todas as regiões, é a que menos participa da agropecuária do Estado, dada sua vocação econômica encontrar-se em outras atividades. Todavia, a produção agropecuária volta-se para a produção de banana, laranja, uva, cebola, fumo, tomate e leite. Na região Sul Catarinense, de estrutura fundiária mais equitativa, registra-se agricultura mais direcionada para culturas temporárias e de produtos de origem animal. Neste contexto, os principais produtos agrícolas são: fumo, arroz, fruticultura, mandioca e ovos.

2.2 Número e Área dos Estabelecimentos e Pessoal Ocupado

O Estado de Santa Catarina apresenta produção agropecuária diferenciada distribuída pelo seu território. Fachinello e Santos Filho (2010) mencionam algumas características das seis mesorregiões do Estado - Oeste, Norte, Serrana, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul Catarinense - segundo critério definido pelo IBGE. A região Oeste é tida como a principal região agrícola, de forte predominância da pequena propriedade, sendo que nela se concentra praticamente 50% da produção agropecuária, com destaque para a produção animal e a lavoura temporária. Dentre os principais produtos, destacam-se aves, suínos, milho, soja e maçã. A região Norte é caracterizada por apresentar estrutura fundiária diversificada, tendo a presença de grandes, mas também de médios e pequenos estabelecimentos agrícolas. As principais atividades econômicas deste setor na região são: pecuária extensiva, pecuária leiteira, orizicultura irrigada, olericultura, fruticultura e silvicultura.

Por sua vez, a região Serrana, formada de médias e grandes propriedades agrícolas, teve a pecuária extensiva e o extrativismo madeireiro como base econômica, por muitos anos. Porém, nos últimos anos o reflorestamento ganhou importante espaço, principalmente por fornecer matéria-prima para a indústria local de papel e celulose e móveis. Nesta região, também tem-se verificado a extensão agrícola através da produção de soja, alho e maçã. Na região do Vale do Itajaí, a produção está voltada, sobretudo, para o fumo, arroz, cebola, banana, madeira e leite, visto que a agricultura fornece seus produtos para serem beneficiados pelas empresas agroindustriais localizadas nesta região.

A região da Grande Florianópolis, dentre todas as regiões, é a que menos participa da agropecuária do Estado, dada sua vocação econômica encontrar-se em outras atividades. Todavia, a produção agropecuária volta-se para a produção de banana, laranja, uva, cebola, fumo, tomate e leite. Na região Sul Catarinense, de estrutura fundiária mais equitativa, registra-se agricultura mais direcionada para culturas temporárias e de produtos de origem animal. Neste contexto, os principais produtos agrícolas são: fumo, arroz, fruticultura, mandioca e ovos.

De acordo com Fachinello e Santos Filho (2010), o Estado de Santa Catarina é caracterizado por ter uma estrutura fundiária com significativa presença de estabelecimento de pequena extensão territorial, tendo predomínio da exploração intensiva, diversificada em produtos e por base a mão-de-obra familiar. Essa caracterização impulsiona os setores econômicos a novas propostas de manejo, formas para a inserção no mercado e de alocação dos recursos de maneira mais eficiente.

Em Santa Catarina, grande parte dos estabelecimentos está concentrada nas categorias menores (“menos de 10 ha” e “de 10 ha a 100 ha”), uma vez que são insignificantes os de grande extensão territorial. Observa-se que no Estado houve mudanças na estrutura fundiária nas últimas décadas, sendo que o número de estabelecimentos cresceu até a década de 1980, após esse período, passou a ter redução, ainda que não expressiva. Em 1970, o número de estabelecimentos com menos de 10 ha participava com 32% e de 10 ha menos de 100 ha com 64% do total. Em 2006, tais classes de tamanho representavam 35% e 58%, respectivamente.

Tabela 4: Evolução do número de estabelecimentos em Santa Catarina e no Brasil, segundo sua classe de tamanho – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006.

Grupos de área total

1970

1975

1980

1985

1995

2006

Brasil

Total

4.924.019

4.993.252

5.159.851

5.801.809

4.859.865

5.175.636

Menos de 10 ha

2.519.630

2.601.860

2.598.019

3.064.822

2.402.374

2.477.151

10 a menos de 100 ha

1.934.392

1.898.949

2.016.774

2.160.340

1.916.487

1.971.600

Menos de 100 ha

4.454.022

4.500.809

4.614.793

5.225.162

4.318.861

4.448.751

100 a menos de 1000 ha

414.746

446.170

488.521

517.431

469.964

424.288

1000 ha e mais

36.874

41.468

47.841

50.411

49.358

47.578

Santa Catarina

Total

207.218

206.505

216.159

234.973

203.347

193.668

Menos de 10 ha

66.074

69.921

75.724

91.883

72.462

69.394

10 a menos de 100 ha

132.180

127.931

130.788

133.536

122.036

112.445

Menos de 100 ha

198.254

197.852

206.512

225.419

194.498

181.839

100 a menos de 1000 ha

8.477

8.170

8.856

8.861

8.231

7.252

1000 ha e mais

468

475

624

571

508

455

Variação total % Br

-

1,4

3,3

12,4

-16,2

6,5

Variação total % SC

-

-0,3

4,7

8,7

-13,5

-4,8

Fonte: IBGE – Censo Agropecuário.

Conforme os dados do Censo Agropecuário de 2006, no Estado de Santa Catarina encontravam-se registrados cerca de 190 mil estabelecimentos, em uma área total de 6,04 mil ha, perfazendo, em média, 31,2 ha por estabelecimento. Isto pode ser observado na Tabela 5, ao se avaliar a evolução das áreas dos estabelecimentos no Estado, a partir do tamanho das propriedades rurais. Acompanhando a tendência verificada na Tabela 4, os dados da Tabela 5 evidenciam uma diminuição de -17% na área média do Estado. Apesar de ter-se observado a predominância de propriedades de 20 a 50 ha ao longo da série, estas também sofreram variação negativa, na ordem dos -19,5%. Outro destaque refere-se às propriedades com mais de 1.000 ha, que em 46 anos mostraram uma variação negativa, todavia abaixo da média nacional, de -3%.

Tabela 5: Evolução da área dos estabelecimentos em Santa Catarina, segundo sua classe de tamanho – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006

Classe de área (ha)

1960

1970

1980

1985

1996

2006

Menos de 10

235.532

339.874

376.792

448.981

364.673

334.174

10 a menos de 20

556.948

788.319

824.559

888.168

838.076

787.246

20 a menos de 50

1.436.734

1.834.402

1.720.446

1.673.455

1.481.570

1.339.355

50 a menos de 100

888.614

987.259

953.380

891.819

811.301

715.747

100 a menos de 200

600.539

665.133

670.444

660.163

617.638

553.603

200 a menos de 500

632.202

806.639

881.613

901.561

831.096

726.642

500 a menos de 1000

479.990

591.453

694.035

695.178

625.587

501.851

Mais de 1000

1.118.391

1.012.246

1.352.504

1.260.210

1.042.904

1.081.517

Total agropecuária de Santa Catarina

5.948.950

7.025.325

7.473.773

7.419.535

6.612.845

6.040.134

Total agropecuária do Brasil

249.862.142

294.145.466

364.854.421

374.924.929

353.611.242

333.680.037

Área média SC

37,6

33,9

34,6

31,6

32,5

31,2

Fonte: IBGE - Censo Agropecuário.

No que diz respeito à produtividade do setor agropecuário do Estado, alguns estudos do IBGE apontam para a virtuosidade do clima e solo predominantes neste território. O clima do Estado catarinense, por exemplo, é tropical e úmido, com temperaturas que variam basicamente entre 13º e 25º, com exceção à região do Planalto, caracterizada por ter um inverno rigoroso, com temperaturas podendo chegar abaixo de 0º. De acordo com dados de Santa Catarina, apresentados por Fachinello e Santos Filho (2010), os solos com alta fertilidade natural ocupam 21% da superfície do Estado, sendo que neles podem ser desenvolvidas praticamente quaisquer espécies de cultivo. Por outro lado, cerca de 60% dos solos são considerados de baixa fertilidade natural, criando a necessidade de correção para que a produção agrícola mantenha a qualidade desejada.

A Tabela 6 demonstra a utilização das terras agropecuárias de Santa Catarina e do Brasil, conforme as classes de atividades. Algumas modificações no cenário nacional e estadual podem ser observadas. Dentre tais mudanças, estão as variações acentuadas que sinalizam a mudança de pastagens no Brasil, pois em 1970 havia 124.406.233 ha de pastagens naturais, passando para 57.633.189 ha em 2006, o que significa uma redução de 54%. Por sua vez, as pastagens plantadas aumentaram 244% devido à mudança de 29.732.296 ha, em 1970, para 102.408.873 ha em 2006. Em Santa Catarina, os dados não mostraram variações acentuadas, mas também seguiram a tendência, entre 1970 e 2006, de redução das pastagens naturais (-40%) e aumento das pastagens plantadas (18%).

Em termos de movimento mais acentuado, observa-se na lavoura permanente contínua ampliação, em que pese ocupação em área menor, em torno de 13% da área total das lavouras e 4% da área total dos estabelecimentos agropecuários. Segundo Fachinlello e Santos Filho (2010), as culturas que ocuparam as maiores áreas são as de banana, maçã, erva-mate e laranja. Em 2006, esses quatro produtos representaram aproximadamente 87% da área de culturas permanentes. Por sua vez, as pastagens que ocupavam 28,2% da área dos estabelecimentos até 1996 foram reduzidas em torno de 27% entre 1996 e 2006. As pastagens plantadas simbolizaram próximo de 25% da área e as pastagens naturais, 75%. A área de matas plantadas também vem aumentando no Estado, em decorrência do crescimento das atividades de silvicultura, notadamente da produção de madeira em tora, lenha e carvão vegetal.

Assinala-se como destaque o crescimento significativo das lavouras permanentes em Santa Catarina. Tal comportamento não foi acompanhado pelos dados do cenário nacional. Em verdade, trata-se de uma característica da agricultura catarinense. A dinâmica produtiva tem por marco priorizar a pequena agricultura familiar, cujo reflexo se verifica pelo aumento da área plantada. Registrou-se um aumento da lavoura em 213% ao longo da série, saindo de 70.262 ha, em 1970, para 219.965 ha em 2006.

Tabela 6: Utilização das terras agropecuárias em Santa Catarina e no Brasil, segundo a classe de atividades - – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006.

Classe de atividades (ha)

1970

1975

1980

1985

1995

2006

Brasil

Total

294.145.466

323.896.082

364.854.421

374.924.929

353.611.246

333.680.037

Lavouras permanentes

7.984.068

8.385.395

10.472.135

9.903.487

7.541.626

11.679.152

Lavouras temporárias

25.999.728

31.615.963

38.632.128

42.244.221

34.252.829

48.913.424

Pastagens naturais

124.406.233

125.950.884

113.897.357

105.094.029

78.048.463

57.633.189

Pastagens plantadas

29.732.296

39.701.366

60.602.284

74.094.402

99.652.009

102.408.873

Matas naturais

56.222.957

67.857.631

83.151.990

83.016.973

88.897.582

95.306.715

Matas plantadas

1.658.225

2.864.298

5.015.713

5.966.626

5.396.016

4.734.219

Santa Catarina

Total

7.025.326

687.280

7.473.777

7.419.541

6.612.846

6.062.506

Lavouras permanentes

70.262

42.630

74.813

90.029

126.580

219.965

Lavouras temporárias

1.261.414

1.391.803

1.728.996

1.778.803

1.443.840

1.503.335

Pastagens naturais

2.088.682

1.977.243

1.903.092

1.927.609

1.778.795

1.259.081

Pastagens plantadas

379.303

426.786

587.831

541.669

560.115

448.553

Matas naturais

1.623.220

1.433.854

1.408.103

1.345.539

1.348.615

1.613.840

Matas plantadas

128.333

194.246

374.047

564.124

561.549

621.512

Variação total % Br

-

10,1

12,6

2,8

-5,7

-5,6

Variação total % SC

-

-90,2

987,4

-0,7

-10,9

-8,3

Fonte: Fachinello e Santos (2010).

Tabela> 7: Número de estabelecimentos, segundo a condição legal das terras em Santa Catarina - 1985, 1995 e 2006.

Condição legal

Área dos estabelecimentos (mil há)

Número de estabelecimentos

1985

1996

2006

Participação % 2006

1985

1996

2006

Participação % 2006

Proprietário

5.435

5.012

4.967

82,2

178.453

166.664

169589

87,2

Arrendatário

382

268

147

2,4

31.212

17.912

8.904

4,6

Ocupante

253

189

84

1,4

20.396

13.395

6.613

3,4

Administrador

1.350

1.145

842

13,9

4.912

5.375

4.435

2,3

Total

7.420

6.613

6.042

100

234.973

203.347

194533

100

Fonte: IBGE - Censo Agropecuário.

Existe na estrutura produtiva agropecuária de Santa Catarina uma progressiva redução do pessoal ocupado no campo. É expressivo o êxodo rural, principalmente no que rege à população jovem, acarretando, em contrapartida, o aumento da população nos centros urbanos, sobretudo, os localizados na faixa litorânea do Estado. De acordo com Fachinello e Santos (2010), até 1970 a população catarinense era predominantemente rural, a partir daí houve uma migração da população do campo para o meio urbano. Alguns fatores podem ter influenciado esse deslocamento da população do campo para os centros urbanos, entre eles estão a liberação da mão-de-obra originada pela tecnificação agrícola, a decadência de áreas rurais e os atrativos das cidades no que se refere a melhores condições de vida e melhores salários.

Tabela 8: Pessoal ocupado em atividades agropecuárias em Santa Catarina e no Brasil – 1970, 1975, 1980, 1985, 1995 e 2006.

1970

1975

1980

1985

1996

2006

Pessoal ocupado SC

763.501

858.734

836.734

887.287

718.694

571.516

Pessoal ocupado BR

17.582.089

20.345.692

21.163.735

23.394.919

17.930.890

16.567.544

Variação % SC

-

12,5

-2,6

6,0

-19,0

-20,5

Variação % BR

-

15,7

4,0

10,5

-23,4

-7,6

Fonte: IBGE - Censo Agropecuário.

Nestes termos, o número de pessoal ocupado reduziu, conforme a Tabela 8, de 763.501 pessoas em 1970 para 571.516 em 2006. Os dados mostraram uma redução de 191.085 pessoas ocupadas em atividades agropecuárias em Santa Catarina, sendo que essa perda se intensificou a partir da segunda metade da década de 80.

2.3 Produção Agropecuária

A Tabela 6 mostra o valor bruto da produção dos principais produtos da agropecuária catarinense nos anos 2000, 2005 a 2009. Tais dados nos permitem verificar que a produção agropecuária catarinense tem progredido, substancialmente, ao longo da última década.

Tabela 9: Valor bruto da produção dos principais produtos da agropecuária de Santa Catarina segundo a atividade econômica – 2000, 2005 – 2009.

Produto

2000

2005

2006

2007

2008

2009

Lavoura temporária

Arroz em casca

199.003

427.129

387.114

428.103

571.385

593.365

Batata-inglesa

27.493

62.989

75.290

37.251

68.174

107.185

Cana-de-açúcar

24.482

50.853

53.596

70.156

54.442

95.665

Cebola

109.993

132.560

206.207

206.485

243.354

237.056

Feijão em grão

101.370

122.787

165.634

124.088

362.227

217.180

Fumo em folha

369.953

1.262.195

957.158

1.045.171

1.276.598

1.499.628

Mandioca

83.225

79.987

92.696

91.257

81.971

116.229

Milho em grão

618.007

749.904

617.976

1.046.082

1.553.831

1.114.245

Soja em grão

146.709

294.966

334.978

516.012

675.967

725.681

Tomate

33.644

83.168

48.910

71.358

110.137

160.377

Trigo em grão

10.105

29.916

46.374

98.849

138.640

109.325

Subtotal

1.723.984

3.324.889

3.060.874

3.780.083

5.167.452

5.030.404

Lavoura permanente

Banana

59.183

163.883

181.745

230.752

192.408

189.155

Laranja

32.161

19.428

18.612

23.192

31.659

28.705

Maçã

229.281

260.080

477.157

385.590

449.798

394.692

Uva (para mesa)

15.357

34.157

33.359

56.111

57.649

80.485

Subtotal

335.982

477.548

710.873

695.645

731.514

693.037

Silvicultura

Carvão vegetal

2.788

4.722

4.836

4.472

4.841

4.319

Lenha

35.780

100.539

110.985

140.436

162.130

191.895

Madeira (papel e celul.)

70.022

187.221

227.880

266.385

304.797

383.117

Madeira outras final.)

197.348

745.743

738.097

568.652

549.427

669.781

Subtotal

305.938

1.038.225

1.081.798

979.945

1.021.195

1.249.112

Exploração florestal

Erva-mate

24.289

16.411

12.110

14.264

14.806

13.380

Lenha

20.775

44.930

51.013

54.335

54.857

56.343

Madeira em toras

4.601

5.445

5.560

8.523

8.066

8.909

Subtotal

49.665

66.786

68.683

77.122

77.729

78.632

Pecuária

Bovinos

490.049

480.919

482.252

505.764

615.565

Leite de vaca

295.991

870.705

756.530

945.386

1.250.396

Mel

21.777

12.388

11.496

10.220

12.390

Suínos

1.217.316

2.114.628

1.830.355

1.683.146

2.136.380

Aves

939.337

3.373.698

2.842.913

3.807.228

4.211.637

Ovos de galinha

148.040

576.091

512.912

68.153

79.953

Subtotal

3.112.510

7.428.429

6.436.458

7.019.897

8.306.321

Fonte: Epagri/CEPA.

Considerando a lavoura temporária, registra-se evolução significativa no valor gerado na produção de fumo em folha, milho em grão e soja em grão. Em 2009, tais produtos representaram 29,8%; 22,1% e 14,4%, portanto 66,3%, cerca de 2/3 do valor bruto da produção da lavoura temporária. No tocante à lavoura permanente, o principal produto foi a maçã, nos anos considerados, representando mais de 50% do valor bruto da produção. Considerando 2009, esta cultura significou 56,9% do total, mas já chegou a alcançar 67,1% em 2006. No campo da silvicultura, a madeira, fonte para a indústria de papel e celulose, representou 30,7% do valor bruto da produção deste setor, enquanto a madeira para outras finalidades alcançou 53,6%, em 2009.

No campo da pecuária, a produção de aves e suínos alcançaram, respectivamente, os maiores indicadores de representatividade ao longo dos anos considerados. Em particular no ano de 2009, os percentuais foram de 50,7% e 25,7%, respectivamente, portanto 76,4% do total obtido. Cabe assinalar o crescimento do valor obtido com a produção de leite de vaca, com registro de forte crescimento do valor bruto da produção de 2000 (R$ 295.991 mil) e de 2008 (R$ 1.250.396 mil).

Tabela 10: Rebanho animal em Santa Catarina e no Brasil – 2000, 2005, 2008 e 2011

Rebanho (em mil cabeças)

2000

2005

2008

2011

Cresc. % 2011/2000

Abate 2011

Brasil

Bovinos

169.875

207.156

202.306

212.815

25,3

7.369

Suínos

31.562

34.063

36.819

39.307

24,5

9.010

Ovinos

14.784

15.588

16.630

17.668

19,5

-

Aves

842.740

845.818

866.957

875.465

3,9

1.320.308

Santa Catarina

Bovinos

3.051

3.376

3.884

4.039

32,4

117

Suínos

5.093

6.309

7.846

7.968

56,5

2.283

Ovinos

207

207

256

303

46,4

-

Aves

123.740

156.339

178.593

175.262

41,6

234.641

Fonte: IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal.

De forma complementar à produção agrícola, a atividade que mais se destaca em termos de valor de produção é a pecuária, cuja atividade é referência nacional no atendimento à demanda dos mercados interno e externo. Considerando 2008 como parâmetro, o conjunto das atividades da pecuária representou 52,5% de todo valor bruto da produção agropecuária catarinense. Segundo Fachinello e Santos Filho (2010), na pecuária, a prática de criação de animais de pequeno porte foi introduzida pelos imigrantes, inicialmente como atividade de subsistência, vindo posteriormente a ser unidade de negócio de muitas empresas vinculadas à indústria de abate e processamento de carnes. A Tabela 10 evidencia os números do rebanho animal brasileiro e catarinense.

A suinocultura e a criação de aves são as atividades em que se nota maior avanço em termos de produtividade, visto que há uma demanda interna crescente e oportunidades de exportação, cada vez mais propensas para o Estado catarinense. Santa Catarina está inclusa na principal região produtora de aves – frango – e suínos do país. Os principais Estados produtores de aves – frango -, por ordem decrescente, foram Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, responsáveis por 63% do total produzido. Enquanto, na produção de suínos, pela mesma ordem, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, responsabilizaram-se por 64% do total produzido, em 2010. Em destaque, o estado de Santa Catarina se posicionou, nesse ano, como o 2º maior produtor de aves – frango e 1º lugar na produção de suínos do país. Acresce-se, ainda, o posicionamento estatal em termos de exportação: líder na posição de exportação de frangos e vice-lider na posição de exportador de suínos (CARIO et al, 2012).

Das duas atividades da pecuária referenciadas, a suinocultura é a que vem, nos últimos tempos, enfrentando problemas em face da oscilação de preços no mercado, requerimento de controle da sanidade animal, preocupação com o tratamento de dejetos, exigência de crescentes níveis de produtividade, entre outros, levando as empresas de processamento industrial deste tipo de carne, a reverem seus investimentos, reposicionarem suas relações com produtores rurais integrados e a buscarem novas alternativas produtivas em regiões cujos custos de produção são menores. Por outro lado, a avicultura demonstra-se trajetória positiva em termos de crescimento do número de rebanho; pela magnitude desta atividade econômica desenvolvida nas empresas processadoras, consideradas líderes nacionais no segmento de processamento deste tipo de carne; pelo aumento, nos últimos anos, do consumo per capita, pela acessibilidade dos consumidores aos preços praticados no mercado, entre outros fatores.

Em relação ao rebanho de bovinos, esse não assume configuração tão relevante como o que ocorre nos Estados do Centro-Oeste brasileiro. Assim como, comparativamente, a atividade econômica voltada à bovinocultura é de importância menor em relação à suinocultura e à avicultura. Contudo, tem conquistado seu espaço na pecuária nos últimos tempos, visto pela geração de ganhos relevantes à economia catarinense, principalmente no que se refere à produção leiteira. Os ganhos econômicos desta atividade tem se constituído uma forma da pequena produção se manter frente a declínios em outras atividades no campo. Além disso, a pecuária leiteira tem alcançado elevados níveis de eficiência e produtividade, tornando-se referência para outros Estados federativos do país. Esta atividade, em desenvolvimento crescente, depara com fatores problemáticos, exigindo dos produtores, por seu turno, preocupações sanitárias, sistema de refrigeração, estrutura de estocagem e avaliação da qualidade, de forma constante. Tais critérios passam a exigir maior valor dos investimentos em equipamentos, custos produtivos mais elevados, qualidade maior nas práticas de manejo, entre outros requerimentos, promovendo, por consequência, uma seleção de produtores no meio rural.

2.4 Exportações do Agronegócio

Considerando a estrutura de agronegócio catarinense, envolvendo não somente os produtos agropecuários em si, mas também os produtos industriais que têm por base principal de insumo os produtos da agricultura constata-se, na Tabela 11, evolução crescente dos valores exportados no período de 2000, 2003, 2006, 2009 e 2010.

A exportação de produtos de base animal e derivados apresentou carnes de frango como principal produto exportado. Em 2010, o valor exportado do referido produto significou 77,7% do total vendido ao exterior no segmento produção animal e derivados. O segundo produto com representatividade foi a carne suína, com participação relativa da ordem de 13% do total deste segmento exportador.

Por sua vez, a exportação de fumo em grão foi, dentre os produtos de origem vegetal e derivados, a que mais se expressou em valor comercializado no mercado externo. O percentual de 69,5% do valor exportado em 2010, no segmento de produtos de origem vegetal e derivados, expressou tal magnitude, e contribui para referendar o Estado de Santa Catarina como um dos maiores produtores de fumo do país. Em segundo plano, destacou-se a exportação de soja em grão, cuja representatividade foi de 11,2% do total comercializado com o exterior de produtos de origem vegetal e derivados.

Tabela 11: Exportações do agronegócio de Santa Catarina - 2000, 2003, 2006, 2009 e 2010.

PRODUTOS EXPORTADOS (US$ 1000 FOB)

Produtos

2000

2003

2006

2009

2010

Cresc. % 2010/2000

Produção animal e derivados

575.612

967.025

1.410.512

2.242.880

2.598.979

351,5

Carne suína

99.940

196.705

311.317

330.992

337.891

238,1

Carnes de frangos

366.359

609.433

966.458

1.721.412

2.019.803

451,3

Outras aves

69.777

63.701

60.507

69.245

96.106

37,7

Carne bovina

711

2.490

7.225

23.494

38.120

5261,5

Outras carnes

12.486

57.315

24.380

50.538

58.059

365,0

Pescados e crustáceos

20.699

22.180

27.598

26.247

26.798

29,5

Mel natural

262

9.511

3.110

7.910

4.215

1508,8

Outros produtos origem animal

5.378

5.690

9.917

13.042

17.987

234,5

Produção vegetal e derivados

214.183

351.031

658.601

1.102.926

1.257.837

487,3

Soja - óleo

23.006

120.799

39.393

60.875

72.746

216,2

Soja - em grão

542

9.877

47.110

97.863

141.006

25.915,9

Soja - farelos e farinhas

31.837

49.990

10.394

1.244

16.107

-49,4

Milho

624

12.115

6.383

7.089

4.183

570,4

Arroz

574

274

356

17.388

1.665

190,1

Banana

4.284

11.992

9.051

16.522

16.253

279,4

Maçã

18.865

20.392

20.526

15.508

19.173

1,6

Outras frutas frescas ou secas

657

1.071

1.465

3.190

1.684

156,3

Frutas em conserva e doces

4.098

2.094

1.980

905

807

-80,3

Sucos de frutas

15.390

10.789

17.788

26.065

33.217

115,8

Açúcar, cacau e prod. de confeitaria

8.567

7.382

7.384

2.201

1.626

-81,0

Produtos hortícolas

455

625

365

437

410

-9,9

Fecula de mandioca

394

1.836

623

542

1.164

195,4

Erva mate

2.638

1.304

3.487

14.034

17.728

572,0

Plantas ornamentais

619

483

288

492

401

-35,2

Gomas e resinas

682

1.050

1.353

2.305

1.726

153,1

Fumo

88.697

88.232

465.898

813.660

873.880

885,2

Bebidas fermentadas e destiladas

6.156

650

1.116

1.443

2.153

-65,0

Outros prod. vegetais e da agroindústria

6.098

10.076

23.641

21.163

51.908

751,2

Indústria: madeira, papel e papelão

617.481

859.036

1.192.463

746.247

838.887

35,9

Madeira e obras de madeira

298.908

401.069

646.717

349.382

410.139

37,2

Móveis de madeira

214.352

319.968

344.967

239.539

244.697

14,2

Papel e papelão

104.221

137.999

200.779

157.326

184.051

76,6

Total do agronegócio

1.407.276

2.177.092

3.261.576

4.092.053

4.695.703

233,7

Fonte: EPAGRI/CEPA.

De uma forma geral, os produtos de base animal e derivados representam pouco mais de 50% do valor exportado do agronegócio catarinense, como expressaram os dados percentuais de 54,1% em 2009 e 55,3% em 2011. Neste segmento, os produtos agropecuários exportados decorrem de processos que apresentam vínculos mantidos por relações sustentáveis entre produtores rurais e a base transformadora industrial, como os casos de exportação de carnes de frango e de suíno. Nos produtos de base vegetal e derivados, a representatividade é da ordem de pouco mais de 25%, do total exportado, como apontaram os percentuais de 26,9% em 2009 e 26,7% em 2010. Nesses, também se constatam vínculos da atividade agropecuária com indústria a montante. Citam-se, como exemplos, produtos não tão representativos em termos de valores obtidos com exportação como a maçã e soja em grão e de óleo, em que o processo produtivo agrícola mantém vínculos interativos com os segmentos transformadores industriais, organizados em empresas privadas e em cooperativas agrícolas.

3 ESTRUTURA INDUSTRIAL

3.1 Distribuição Produtiva Regional

Por sua vez, o desenvolvimento do setor industrial de Santa Catarina possui uma estrutura produtiva com grau de especialização em vários segmentos. Diversos fatores internos – recursos naturais, mão-de-obra qualificada, capacidade empresarial, aproveitamento de incentivos, envolvimento em programas governamentais, etc. contribuíram para firmar características próprias setoriais importantes na economia regional.

Conforme Cario e Lopes (2010), registra-se a existência de setores industriais cuja base decorre de vínculos com os recursos naturais como a argila para o segmento de minerais não-metálicos, em especial para a produção de cerâmica de revestimento e estrutural; e madeira para a fabricação de móveis, com extensão para a transformação em papel e celulose. Da mesma forma, estabelece-se a produção industrial alimentícia – carnes – aves e suínos – em estreita relação com a pequena propriedade agrícola organizada sob o sistema de integração produtor-empresa de processamento industrial.

Assim como, segmentos industriais foram constituídos a partir de mão-de-obra qualificada, cujo conhecimento e experiência de imigrantes foram importantes para a constituição da matriz produtiva, em particular nos segmentos têxtil, confecção e móveis. Em outros segmentos, o conhecimento adquirido dos trabalhadores no sistema produtivo em empresas pioneiras possibilitou a criação de várias empresas ao longo do tempo, como na indústria de calçados.

Outras expansões industriais contaram com apoios institucionais, expressos em planos estaduais e nacionais de desenvolvimento voltados a impulsionar as indústrias estabelecidas, bem como as nascentes. Cita-se a formação de segmentos industriais como o eletro-metal-mecânico e papel e celulose, puxados pelas áreas prioritárias do Plano de Metas (1956-60) e II Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico (1974-70). Outros segmentos surgem, como fornecedores intermediários para outras industriais como o plástico para a construção civil e automobilística.

Assim como, segmentos industriais foram constituídos, fortemente, apoiados pela estrutura educacional superior formadora de mão-de-obra qualificada. Neste sentido, cursos superiores nas áreas de computação e de engenharia criam condições para o surgimento de empresas produtoras de software, hardware e telecomunicações.

SETORES

PRINCIPAIS ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO

ÁREAS CONTÍGUAS ÀS

DE CONCENTRAÇÃO PRINCIPAL

ÁREAS NÃO CONTÍGUAS ÀS DE CONC. PRINCIPAL

Eletrometal-mecânica

Joinville

Blumenau, S. Bento do Sul

Chapecó, Criciúma, Tubarão

Alimentos

Chapecó, Joaçaba, Concórdia, S. Miguel do Oeste, Xanxerê

Rio do Sul, Canoinhas, Campos de Lages, Araranguá, Criciúma, Tubarão

Têxtil-vestuário

Blumenau

Rio do Sul, Ituporanga, Itajaí, Joinville

Araranguá, Criciúma, Tubarão, Chapecó, S. Miguel do Oeste

Móveis e madeira

S. Bento do Sul (móveis); Curitibanos e Canoinhas (produtos de madeira)

Blumenau (movéis); Campos de Lages, Rio do Sul, Joaçaba (produtos de madeira)

S. Miguel do Oeste, Chapecó (móveis)

Papel e celulose

Campos de Lages, Curitibanos e Joaçaba

Minerais

não-metálicos

Criciúma, Tubarão e Araranguá; Blumenau e Tijucas (cerâmica)

Borracha e plástico

Joinville, Tubarão, Criciúma (plástico)

Joaçaba (plástico)

Couro/calçados

Tijucas, Araranguá (calçados)

Joaçaba (couro); Chapecó (calçados)

Informática

Florianópolis, Joinville, Blumenau (software)

Rio do Sul

Tubarão

Quadro 2: Incidência espacial de setores selecionados da indústria de Santa Catarina - 2006

Fonte: Campos et al (2008).

A conformação de vários segmentos industriais em áreas geográficas bem demarcadas constitui outra característica da estrutura industrial de Santa Catarina. Ao longo do processo produtivo, formam-se segmentos produtivos industriais especializados em áreas geográficas específicas. Nestes termos, a concentração de empresas especializadas em áreas geográficas principais se estende para outras, em áreas contíguas.

Cario e Lopes (2010) sintetizam, a partir de Bittencourt (2006), a estrutura industrial sob esta configuração, expressa no Quadro 2: 1º.) consolidação da concentração de atividades industriais nas microrregiões de formação original – têxtil-vestuário, eletrometal-mecânica e alimentos – carnes; 2º.) difusão de atividades industriais para áreas contíguas àquela de formação original, ampliando as atividades locais, como têxtil-vestuário e eletrometal-mecânica; 3º.) presença de atividades industriais em regiões territorialmente maiores e com base em recursos naturais, como a indústria madeireira, móveis e alimentos; 4º.) ocorrência de diversificação das atividades industriais nas microrregiões do Sul do Estado, com foco em concentração como a cerâmica e plástico, 5º.) relativa dispersão das atividades eletrometal-mecânica e têxtil-vestuário para várias microrregiões, apesar de densa concentração da primeira na região de Joinville e da segunda na microrregião de Blumenau.

3.2 Produto Interno Bruto Industrial, Valor da Transformação Industrial e Valor Bruto da Produção Industrial

Na análise das participações do PIB geral e do PIB industrial catarinense em relação aos respectivos PIBs nacionais, ilustradas no Gráfico 4, constata-se a efetiva contribuição do valor gerado neste segmento produtivo na economia nacional. Tal observação decorre do fato da participação do PIB industrial catarinense em relação ao PIB industrial nacional se posicionar, em termos relativos, sempre de forma superior à participação do PIB catarinense no PIB nacional. Contudo, há que se registrar a tendência de queda na participação do PIB industrial catarinense em relação ao total que se iniciou no ano de 2007 e permaneceu até o último ano registrado, 2010.

Gráfico 4: Participação do PIB total e industrial de Santa Catarina em relação ao PIB nacional - 1995 - 2010.

Fonte: IBGE - Contas Regionais.

No tocante à participação do Valor Bruto da Produção Industrial – VBPI –, variável que expressa o valor das receitas proveniente com vendas das empresas do setor -, de Santa Catarina em relação à mesma variável do Brasil, vê-se tendência à estagnação da representatividade estadual. Segundo o Gráfico 5, passados 14 anos, comparando o primeiro ano, 1996, e o último, 2010, registrou-se parca evolução de apenas 0,23% do VBPI catarinense em relação ao VTI nacional. Ao longo dos anos, observa-se movimento cíclico acentuado com perfil de quedas na participação, sobretudo no 1º. quinquênio dos anos 2000, porém nos dois últimos anos registrou-se trajetória ascendente deste indicador, cujos valores percentuais de 4,85% em 2009 e 4,84% em 2010 foram os mais elevados no período analisado. Ainda que se considere tal ocorrência, os números indicaram que as vendas industriais de Santa Catarina não conseguiram galgar posições mais elevadas no cenário nacional.

O Valor da Transformação Industrial – VTI – variável que aponta a diferença entre o valor bruto da produção e os custos das operações industriais, exibindo o quanto de valor foi incorporado no produto fabricado no setor -, de Santa Catarina em relação ao VTI nacional, mostrou comportamento semelhante ao VBPI. Em comparação ao início do período, 1996, que foi de 4,48%, e o final, 2010, com 4,70%, a diferença, 022%, pode ser considerada irrisória. A trajetória da representatividade catarinense mostrou-se declinante, sobretudo, após registrar nos anos 1999 e 2002, valores próximos de 5%. Nos dois últimos anos, 2009 e 2010, o VTI estadual expressou tendência de recuperação de posição em relação ao Brasil, ainda que muito tênue.

Gráfico 5: Evolução da participação percentual do VBPI e do VTI de Santa Catarina em relação ao Brasil - 1996-2010.

Fonte: IBGE - PIA

A relação ente VTI/VBPI – é variável indicadora de quanto a produção do segmento, em estudo, é intensiva em valor agregado gerado pela indústria catarinense. Expressa, também, o encadeamento produtivo posto em termos do quanto da produção é incorporada nacionalmente. Considerando tal significado, observa-se, no Gráfico 6, que a relação VTI/VBPI catarinense, no período de 1996 a 2010, mostrou-se, inicialmente, mais elevada que a nacional, porém, em 2005, ocorreu reversão dessa relação, que persistiu até o último ano de análise, 2010. Essa ocorrência evidencia que Santa Catarina está incorporando menos produtos industriais nacionais do que o Brasil no processo produtivo doméstico. Ao agregar menos valor na produção em relação ao país, as cadeias produtivas catarinenses estão se tornando menos encadeadas. Em outros termos, as malhas produtivas industriais presentes no Estado estão se tornando mais frágeis, dado que passam incorporar menos produtos fabricados domesticamente.

Gráfico 6: Relação VTI/VBPI de Santa Catarina e do Brasil - 1996-2010.

Fonte: IBGE - PIA
3.3 Especificidades industriais por intensidade tecnológica de Santa Catarina

Ao analisar a participação do VBPI na indústria segundo a intensidade tecnológica (Anexo 1 ) do Brasil e de Santa Catarina, por triênio no período de 1996 a 2010, conforme Gráfico 7, nota-se, em primeiro lugar, a predominância da participação do VBPI da indústria de baixa intensidade tecnológica tanto no Brasil quanto em Santa Catarina. Em segundo lugar, Santa Catarina se posicionou com predominância maior da participação do VBPI na indústria de baixa intensidade tecnológica do que constatado na indústria nacional. Tal predominância é verificada durante toda a série de anos, ainda que se tenham reduzidos os percentuais correspondentes à indústria de baixa tecnologia. No início do período, 1996-1998, 59,21% do VBPI provinha desta indústria em Santa Catarina e 40,45% do Brasil. No final do período, 2008-2010, 53,73% do VBPI catarinense encontra-se na indústria de baixa intensidade tecnológica em comparação com os 33,57% da indústria nacional.

Por outro lado, o VBPI da indústria de alta tecnologia catarinense mostrou-se percentual inferior ao registrado, ao longo dos anos, pela indústria nacional. O Brasil concluiu a primeira década dos anos 2000 com apenas 6,21% do seu VBPI localizado na indústria de alta intensidade tecnológica, enquanto que Santa Catarina não alcançou mais que 1,94%. Os percentuais apontados no triênio 2008-2010 não se mostraram distantes dos registrados no triênio inicial, 1996-1998, da série de anos em estudo, 7,85% e 1,90%, respectivamente. Considerando que o VBPI expressa a receita proveniente das vendas, conclui-se que parte significativa do que se produz em Santa Catarina está alocada em setores de baixa intensidade tecnológica, tidos como de pouco dinamismo e com pouco efeito transbordo de externalidades positivas. E, quando comparado com os números brasileiros, tal alocação fica ainda mais evidente.

Gráfico 7: Participação percentual do VBPI na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Catarina - 1996 a 2010.

Fonte: IBGE - PIA

A participação do VTI por intensidade tecnológica não apresenta padrão de comportamento diferente do VBPI. Santa Catarina continua com grande parte do valor adicionado gerado no setor industrial, expresso pelo indicador de VTI, alocado nos setores de baixa intensidade tecnológica, segundo as informações do Gráfico 8. Em comparação com o VTI do Brasil, percebe-se que a participação catarinense mostrou-se superior em todo o período. No triênio final, 2008-2010, o VTI de Santa Catarina, no segmento de baixa intensidade tecnológica, foi de 58,26% e o nacional registrou 33,06% do total gerado em cada referência. Em comparação com o triênio inicial, 1996-1998, observa-se que o indicador nacional era superior, 34,23% em relação ao final do período, 33,06%, indicando melhora de performance em agregação de valor aos produtos. Enquanto que, em Santa Catarina, eleva-se o percentual do valor adicionado gerado na indústria de baixa tecnologia, indicando piora no perfil dos produtos fabricados por intensidade tecnológica.

Gráfico 8: Participação percentual do VTI na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Cataria – 1996-2010.

Fonte: IBGE - PIA

O comportamento da variável VTI no segmento da indústria de alta tecnologia mostrou-se semelhante ao do VBPI. Os segmentos industriais catarinenses de alta tecnologia contribuem menos na geração de valor agregado ao produto do que os existentes em nível nacional. No triênio de 1996-1998, o VTI de Santa Catarina foi 2,42% e o do Brasil registrou 8,60%; em comparação com o triênio, 2008-2010, os percentuais apontaram redução, 1,81% e 6,07%, respectivamente. Os números mostraram a ocorrência de redução da participação do valor adicionado da indústria de alta tecnologia, tanto para Santa Catarina como para o Brasil, mas com a característica de que o indicador em nível estadual é significativamente menor que o registrado em termos nacionais.

No âmbito da participação dos estabelecimentos industriais por intensidade tecnológica, as informações do Gráfico 9 para o período de 1996-2010 indicaram para o predomínio das unidades caracterizadas como de baixa intensidade tecnológica. Sob este quadro, durante toda a séria estudada, o percentual de unidades locais de Santa Catarina de baixa intensidade tecnológica foi superior ao percentual brasileiro, assim como ocorre o inverso ao se focalizar na indústria de alta intensidade tecnológica. Considerando o último triênio, 2008-2010, os estabelecimentos sob o parâmetro de baixa intensidade tecnológica, Santa Catarina registrou o percentual de 65,42% e o Brasil, 56,55% do total existente em respectivas estruturas produtivas.

Gráfico 9: Participação percentual do número de estabelecimentos na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Catarina - 1996-2010.

Fonte: IBGE- PIA

No parâmetro de alta intensidade tecnológica, os percentuais de Santa Catarina e do Brasil são os menores registrados no período 1996-2010, em comparação com os demais parâmetros, ainda que ocorra reversão na posição entre ambos. No triênio 2008-2010, o Estado catarinense registrou 0,94% dos estabelecimentos fabricando produtos de alta intensidade tecnológica, enquanto o Brasil alcançou 2,44%.

Gráfico 10: Participação percentual do pessoal ocupado na indústria segundo a intensidade tecnológica, no Brasil e em Santa Catarina – 1996-2010.

Fonte: IBGE - PIA

Na análise do pessoal ocupado, a maior porcentagem de trabalhadores em seus postos de trabalho encontrou-se localizada na indústria de baixa intensidade tecnológica, segundo o Gráfico 10. Os indicadores apontaram para o triênio de 2008-2010, 62,51% para Santa Catarina e 50,81% para o Brasil dos trabalhadores exercendo funções operacionais na indústria que utiliza baixa tecnologia. Por seu turno, os trabalhadores alocados na indústria de alta tecnologia apresentaram baixa representatividade quando comparado com os demais segmentos. Os percentuais de Santa Catarina como para o Brasil: 1,87% e 4,34%, respectivamente, são menores aos registrados, também, nas indústrias de média-baixa e média-alta tecnologias.

3.4 ESPECIFICIDADES SETORIAIS POR DIVISÃO DO CNAE

A participação das divisões da Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE) no total do VBPI da indústria catarinense aponta que a indústria de transformação apresenta participação muito mais expressiva no total do que a indústria extrativa, conforme a Tabela 12. No final da primeira década dos anos 2000, a indústria de transformação foi responsável pela participação de 98,25% do VBPI e a indústria extrativa teve participação de apenas 1,45% da indústria total no triênio 2008 - 2010. Os anos expressos apontaram a magnitude relativa da indústria de transformação no VBPI estadual, cujos percentuais foram sempre superiores a 95% do total.

Tabela 12: Participação percentual do VBPI na indústria segundo divisões CNAE em Santa Catarina - 1996 - 2010.

Valor bruto da produção industrial

1996 – 1998

1999 - 2001

2002 - 2004

2005 - 2007

2008 - 2010

Total

100,00%

100,00%

100,00%

100,00%

100,00%

Indústrias extrativas

3,15%

2,44%

1,73%

1,67%

1,44%

Extração de carvão mineral

0,83%

0,91%

0,89%

0,95%

0,83%

Extração de petróleo e serviços relacionados

0,00%

0,00%

0,00%

0,00%

0,00%

Extração de minerais metálicos

0,00%

0,00%

0,00%

0,01%

0,00%

Extração de minerais não-metálicos

0,80%

0,47%

0,00%

0,39%

0,54%

Indústrias de transformação

95,69%

96,32%

97,02%

97,46%

98,25%

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

30,43%

27,34%

26,58%

26,80%

22,36%

Fabricação de produtos do fumo

1,06%

1,61%

1,76%

2,63%

2,53%

Fabricação de produtos têxteis

7,97%

8,27%

7,27%

6,84%

7,67%

Confecção de artigos do vestuário e acessórios

4,20%

4,92%

5,12%

6,19%

8,25%

Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados

0,40%

0,51%

0,64%

0,76%

0,74%

Fabricação de produtos de madeira

3,92%

4,68%

6,07%

4,28%

2,71%

Fabricação de celulose, papel e produtos de papel

5,47%

5,29%

5,12%

4,96%

4,67%

Edição, impressão e reprodução de gravações

0,79%

0,75%

0,84%

0,96%

0,45%

Fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool

0,15%

0,10%

0,13%

0,12%

0,13%

Fabricação de produtos químicos

2,40%

2,66%

2,91%

3,06%

2,91%

Fabricação de artigos de borracha e plástico

7,22%

7,71%

6,88%

5,76%

6,07%

Fabricação de produtos de minerais não-metálicos

5,40%

4,85%

4,28%

4,22%

4,19%

Metalurgia básica

2,13%

2,16%

2,66%

5,05%

5,87%

Fabricação de produtos de metal - exceto máquinas e equipamentos

3,02%

3,38%

3,51%

3,78%

3,97%

Fabricação de máquinas e equipamentos

11,99%

11,58%

11,94%

10,27%

6,87%

Fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática

0,37%

0,67%

0,65%

0,49%

0,42%

Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos

3,75%

4,07%

5,17%

5,30%

8,88%

Fabricação de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações

0,39%

0,55%

0,48%

0,38%

1,29%

Fabricação de equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação industrial, cronômetros e relógios

0,20%

0,25%

0,31%

0,36%

0,80%

Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias

3,16%

3,62%

3,66%

3,79%

4,00%

Fabricação de outros equipamentos de transporte

0,13%

0,25%

0,33%

0,51%

1,00%

Fabricação de móveis e indústrias diversas

2,91%

3,18%

3,85%

2,89%

1,91%

Fonte: IBGE - PIA

Adentrando os segmentos que compõem a indústria de transformação, ressalta-se a participação majoritária da indústria tradicional como fabricação de produtos alimentícios e bebidas; fabricação de produtos têxteis; fabricação de celulose, papel e produtos de papel; e fabricação de artigos de borracha e plástico na formação do VBPI. No último triênio da análise, a divisão industrial da indústria de transformação que obteve maior participação no VBPI total do Estado foi a fabricação de produtos alimentícios e bebidas, com 22,76%. Além dessa fabricação, em seguida foram destaques a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos; confecção de artigos do vestuário e acessórios; fabricação de produtos têxteis; fabricação de máquinas e equipamentos; fabricação de artigos de borracha e plástico; metalurgia básica; fabricação de celulose, papel e produtos de papel; e fabricação de produtos de minerais não-metálicos. Todas estas divisões citadas, mais a divisão de fabricação de produtos alimentícios e bebidas, foram responsáveis pelo percentual de 76,17% da participação do VBPI total no triênio 2008 – 2010.

A evolução da participação das divisões do CNAE da indústria de transformação, de 1996 a 2010, apontou as divisões industriais que ganharam participação no VBPI, tais como: fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,75%, 1996-1998 e 8,88%, 2008-2010); confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,20%, 1996-1998 e 8,25%, 2008-2010) e metalurgia básica (2,13%, 1996-1998 e 5,87%, 2008-2010). Enquanto os que mais perderam participação nesta variável foram: fabricação de alimentos e bebidas (30,43%, 1996-1998 e 22,36%, 2008-2010), fabricação de máquinas e equipamentos (11,99% 1996-1998 e 6,87%, 2008-2010) e fabricação de produtos não-metálicos (5,40% 1996-1998 e 4,19%, 2008-2010).

No âmbito da indústria extrativa, tal segmento produtivo vem perdendo participação no VBPI total da indústria catarinense, sendo a perda relativa da ordem de 1,71% entre os registros do início, 1996 a 1998, 3,15%, e o final do período de análise, 2008 a 2010, 1,44%. Em termos de divisões CNAE, a indústria extrativa catarinense teve na indústria da extração de carvão mineral e de minerais não-metálicos suas principais representantes, ao ponto de ambas as indústrias participarem com 95,08% do VTI da indústria extrativa no triênio de 2008 a 2010. A perda de participação desta indústria esteve concentrada na extração de minerais não-metálicos, cuja participação reduziu de 0,80% para 0,54%.

O VTI catarinense por divisões industriais do CNAE mostra resultado semelhante ao VBPI quando considerada a participação de seus dois componentes: indústria extrativa e de transformação. A maior participação do VTI coube à indústria de transformação, cujos percentuais superaram em muito os referentes à indústria extrativa, segundo a Tabela 13. Os percentuais de 95,27%; 95,84%; 96,73%; 97,26% e 97,95% para os triênios que sucederam a partir de 1996-1998 até 2008-2010, conforme a Tabela 13, são comprovações evidentes. Enquanto que a indústria extrativa teve sua participação reduzida, por exemplo, considerando o início do período, 1996-1998, a representatividade passou de 4,20% para 1,79% no final, 2008-2010.

Tabela 13 - Participação percentual do VTI na indústria segundo divisões CNAE em Santa Catarina - 1996 - 2010.

Valor da transformação industrial

1996 - 1998

1999 - 2001

2002 - 2004

2005 - 2007

2008 – 2010

Total

100,00%

100,00%

100,00%

100,00%

100,00%

Indústrias extrativas

4,20%

3,36%

2,19%

1,94%

1,79%

Extração de carvão mineral

1,12%

1,09%

1,06%

1,08%

0,96%

Extração de petróleo e serviços relacionados

0,00%

0,00%

0,00%

0,00%

0,00%

Extração de minerais metálicos

0,00%

0,00%

0,00%

0,01%

0,00%

Extração de minerais não-metálicos

0,90%

0,62%

0,00%

0,49%

0,73%

Indústrias de transformação

95,27%

95,84%

96,73%

97,26%

97,95%

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

24,62%

23,17%

25,04%

25,75%

16,92%

Fabricação de produtos do fumo

1,32%

2,72%

2,71%

3,41%

2,98%

Fabricação de produtos têxteis

7,87%

7,96%

6,98%

6,87%

8,10%

Confecção de artigos do vestuário e acessórios

4,93%

5,62%

5,97%

7,35%

10,57%

Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados

0,31%

0,37%

0,54%

0,64%

0,76%

Fabricação de produtos de madeira

4,18%

5,28%

7,06%

4,56%

3,07%

Fabricação de celulose, papel e produtos de papel

5,58%

5,35%

5,55%

4,87%

4,48%

Edição, impressão e reprodução de gravações

1,22%

1,06%

1,09%

1,36%

0,58%

Fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool

0,06%

0,09%

0,11%

0,10%

0,09%

Fabricação de produtos químicos

2,35%

2,29%

2,47%

2,65%

2,38%

Fabricação de artigos de borracha e plástico

7,21%

6,82%

5,62%

5,49%

6,32%

Fabricação de produtos de minerais não-metálicos

5,63%

4,91%

4,44%

4,39%

4,68%

Metalurgia básica

2,34%

2,46%

2,47%

3,68%

4,92%

Fabricação de produtos de metal - exceto máquinas e equipamentos

2,93%

3,35%

3,53%

3,80%

4,30%

Fabricação de máquinas e equipamentos

12,71%

12,44%

11,28%

9,79%

6,70%

Fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática

0,45%

0,73%

0,80%

0,64%

0,51%

Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos

4,51%

4,30%

5,77%

5,64%

9,27%

Fabricação de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações

0,47%

0,61%

0,52%

0,49%

1,56%

Fabricação de equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação industrial, cronômetros e relógios

0,27%

0,31%

0,36%

0,47%

0,94%

Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias

3,45%

4,10%

3,51%

3,90%

4,01%

Fabricação de outros equipamentos de transporte

0,11%

0,19%

0,27%

0,42%

0,88%

Fabricação de móveis e indústrias diversas

3,09%

3,18%

4,06%

2,93%

2,10%

Fonte: IBGE - PIA

A indústria de transformação é aquela que apresenta maior participação no VTI total da indústria catarinense, durante toda a série observada. Nas divisões do CNAE dentro da indústria de transformação, no último triênio, 2008-2010, aqueles segmentos que mostraram maior participação foram: fabricação de produtos alimentícios e bebidas; confecção de artigos do vestuário e acessórios; fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos; fabricação de produtos têxteis; e fabricação de máquinas e equipamentos. Tais divisões somadas representam mais de 50% da indústria de transformação catarinense.

As divisões que aumentaram a participação no VTI da indústria de transformação catarinense foram: confecção de artigos do vestuário e acessórios; fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos; e metalurgia básica. No segmento de confecção de artigos do vestuário, o percentual era de 4,93% em 1996-1998 e passou para 10,57% em 2008-2010; na fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, de 4,51% para 9,27%; e metalurgia básica, 2,34% para 4,92%, respectivamente. Por seu turno, as divisões que apresentaram perda de participação foram: fabricação de produtos alimentícios e bebidas, cujo percentual era de 24,62% em 1996-1998 e passou para 16,92% em 2008-2010; fabricação de máquinas e equipamentos, de 12,71% para 6,70%; e fabricação de celulose, papel e produtos de papel, de 5,58% para 4,48%, respectivamente.

4 COMÉRCIO EXTERIOR

4.1 Balança Comercial

Santa Catarina é um Estado com presença representativa no mercado internacional. Com economia diversificada, conta com diversos produtos industriais competitivos no cenário internacional. Sua história é marcada por uma balança comercial superavitária. Tal quadro modificou-se a partir de 2009, quando incentivos fiscais e desempenho dos portos catarinenses criaram as condições para que diversas empresas importadoras se instalassem nesse território e aí exercessem suas atividades, levando as importações superarem as exportações. Soma-se a este quadro a crise internacional iniciada em fins de 2008 que impactou o mercado internacional, com reflexo negativo nas vendas externas brasileiras nos anos seguintes. Observam-se até então, as exportações catarinenses crescendo a dois dígitos na maior parte dos anos da última década, como mostra a Tabela 14, assim como o crescimento das importações visualizado no Gráfico 11.

Santa Catarina ocupa posição de destaque na pauta exportadora brasileira, especialmente de produtos industriais. A participação das exportações catarinenses no total da exportação brasileira era de 5,1% em 2001, quando tinha a posição de quinto maior exportador brasileiro. Entretanto, com o crescimento das exportações brasileiras, sobretudo com a intensa dinâmica das exportações de commodities (minérios e grãos), a participação de Santa Catarina no total das exportações brasileiras reduziu para 3,54% em 2011, e o Estado passa a ocupar a décima posição no ranking dos Estados exportadores. Se considerada somente a exportação de produtos manufaturados, Santa Catarina representou 3,8% das exportações brasileiras de produtos industrializados, no total de US$ 4.916 milhões, em 2011.

Tabela 14: Balança comercial de Santa Catarina – 2001-2011 (US$ milhões FOB)

Ano

Exportação

Variação (%) Anual

Importação

Variação (%) Anual

2001

3.031,20

-

860,4

-

2002

3.160,50

4,3

931,4

8,3

2003

3.701,90

17,1

993,8

6,7

2004

4.862,60

31,4

1.509,00

51,8

2005

5.594,20

15,0

2.188,50

45,0

2006

5.982,10

6,9

3.468,80

58,5

2007

7.381,80

23,4

5.000,20

44,1

2008

8.331,10

12,9

7.940,70

58,8

2009

6.427,70

-22,8

7.288,20

-8,2

2010

7.582,00

18,0

11.978,10

64,3

2011

9.051,00

19,4

14.854,40

24,0

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

Gráfico 11: Balança comercial de Santa Catarina – 2001-2011 (US$ milhões FOB)

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

Ressalta-se que os produtos manufaturados ainda constituem a maior parte dos produtos exportados pelo Estado, segundo a Tabela 15. Contudo, nos últimos anos, ocorreu importante crescimento das exportações de produtos básicos. Em 2001, a exportação catarinense de produtos básicos representava 33% do total exportado pelo Estado, enquanto que em 2011 esta participação passou a ser de 45%.

Tabela 15: Exportações Brasil e Santa Catarina – 2011 (US$ milhões FOB).

Exportação

Brasil

Participação (%)

Santa Catarina

Participação (%)

Básicos

122.457

47,8

4.128

45,0

Manufaturados

92.291

36,1

4.698

51,9

Semimanufaturados

36.027

14,1

218

2,4

Total

256.040

100

9.051

100

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

Considerando os setores das contas nacionais, a maior parte das exportações catarinenses é de bens de capital e de produtos intermediários, conforme a Tabela 16. A exportação de bens de capital totalizou a cifra de US$ 1,8 bilhão, representando 20,36% do total, e a exportação de bens intermediários foi de US$ 3,4 bilhões, expressando 37,4% do total exportado por Santa Catarina em 2011. Tais segmentos – bens de capital e bens intermediários foram responsáveis por 57,76% do total exportado por Santa Catarina, em 2011.

Parte importante das exportações realizadas por Santa Catarina figurou como bens de consumo, simbolizando, em 2011, praticamente 42% do total exportado. Nesta conta, encontravam-se os produtos de bens de consumo não duráveis, cujo percentual, de 38,78%, representou 92% do total de bens de consumo. Dentre os bens de consumo não duráveis, figuraram as exportações de produtos da indústria de alimentos, como carnes de frango e suínos, segmentos produtivos com representatividade na matriz industrial do Estado.

Tabela 16: Exportação Santa Catarina – 2011 (US$ mil FOB).

Itens

US$ mil

Part (%)

Total do Período

9.051.047

100,00

Bens de Capital

1.842.987

20,36

BENS DE CAPITAL (EXC.EQUIP.DE TRANSPORTE USO INDUSTR.)

1.837.535

20,30

EQUIPAMENTOS DE TRANSPORTE DE USO INDUSTRIAL

5.451

0,06

Bens Intermediários

3.385.622

37,41

ALIMENTOS E BEBIDAS DESTINADOS A INDÚSTRIA

333.755

3,69

INSUMOS INDUSTRIAIS

2.511.766

27,75

PECAS E ACESSORIOS DE EQUIPAMENTOS DE TRANSPORTE

538.968

5,95

BENS DIVERSOS

1.133

0,01

Bens de Consumo

3.800.345

41,99

BENS DE CONSUMO DURAVEIS

290.606

3,21

BENS DE CONSUMO NAO DURAVEIS

3.509.739

38,78

Combustíveis e Lubrificantes

15.153

0,17

Demais Operações

6.940

0,08

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

No geral, os produtos mais exportados por Santa Catarina em 2011 foram carnes de frango, fumo e motocompressores. Do total exportado, as carnes de frango representaram próximo de um quarto. O principal produto, pedaços e miudezas de carnes de frango, representou aproximadamente 17% do total exportado pelo Estado em 2011. Considerando 2001 e 2011, verifica-se que as exportações de fumo tiveram expressiva expansão, juntamente com grãos de soja, carnes de suínos, autopeças e motores e transformadores elétricos, conforme expressa a Tabela 17.

Tabela 17: Principais produtos exportados por Santa Catarina - 2001 e 2011 ( US$ FOB).

Produtos

2001

Part %

2011

Part %

1

PEDACOS E MIUDEZAS,COMEST.DE GALOS/GALINHAS,C..

400.335.541

13,22

1.511.825.625

16,70

2

FUMO N/MANUF.TOTAL/PARC.DESTAL.FLS.SECAS,ETC. ..

65.377.041

2,16

778.064.522

8,60

3

MOTOCOMPRESSOR HERMETICO,CAPACIDADE<4700 FRIG......

246.596.817

8,14

470.707.175

5,20

4

BLOCOS DE CILINDROS,CABECOTES,ETC.P/MOTORES D

64.004.505

2,11

425.007.937

4,70

5

OUTRAS CARNES DE SUINO,CONGELADAS

113.696.915

3,75

411.064.896

4,54

6

CARNES DE GALOS/GALINHAS,N/CORTADAS EM PEDACO......

138.845.894

4,58

376.494.398

4,16

7

MOTOR ELETR.CORR.ALTERN.TRIF.750W<P<=75KW,ROT ..

56.117.382

1,85

299.666.448

3,31

8

CARNES DE OUTS.ANIMAIS,SALGADAS,SECAS,ETC......

Não consta

Não consta

262.524.988

2,90

9

PREPARACOES ALIMENTICIAS E CONSERVAS,DE GALOS.........

18.489.602

0,61

255.363.846

2,82

10

MOTOR ELETR.CORR.ALTERN.TRIF.75KW<POT<=7500KW...

30.267.923

1,00

226.798.186

2,51

11

OUTROS GRAOS DE SOJA,MESMO TRITURADOS ..

Não consta

Não consta

215.347.062

2,38

12

BAGACOS E OUTS.RESIDUOS SOLIDOS,DA EXTR.DO OL........

Não consta

Não consta

147.467.341

1,63

13

PAPEL/CARTAO "KRAFTLINER",P/COBERTURA,CRUS,EM..

83.220.312

2,75

119.599.726

1,32

14

PORTAS,RESPECT.CAIXILHOS,ALIZARES E SOLEIRAS,..

69.218.009

2,29

110.723.666

1,22

15

OUTROS LADRILHOS,ETC.DE CERAMICA,VIDRADOS,ESM.......

109.363.605

3,61

107.276.314

1,19

16

MOVEIS DE MADEIRA P/QUARTOS DE DORMIR ..

88.306.722

2,92

94.697.512

1,05

17

LAMIN.FERRO/ACO,L>=6DM,GALVAN.OUTRO PROC.E<4....

Não consta

Não consta

91.083.177

1,01

18

FUMO N/MANUF.TOTAL/PARC.DESTAL.FLS.SECAS,TIPO ..

20.631.748

0,68

88.346.287

0,98

19

OUTS.MAD.COMP.FOLHEADA,ESPESS.Ñ SUP.A 6MM...

25.350.635

0,84

85.447.461

0,94

20

MADEIRA DE CONIFERAS,SERRADA/CORTADA EM FLS.E.....

97.107.771

3,21

72.590.997

0,80

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

Obs. Não consta na lista dos 100 principais produtos.

Algumas atividades industriais perderam expressão no comércio exterior catarinense na última década, e a pauta exportadora revelou alterações no ranking dos principais produtos exportados. Em 2001, as exportações de roupas de toucador de tecidos atoalhados representavam 4,3% do total exportado pelo Estado e totalizaram US$ 131 milhões. Era o terceiro produto mais exportado. Em 2011, as exportações deste produto foram de US$ 60 milhões, o que representou 0,8% do total exportado. Foi o 33o produto na pauta exportadora de Santa Catarina. Os “outros móveis de madeira” eram o quarto produto mais exportado em 2001 e representavam 3,3% do total exportado (US$ 99,8 milhões). Em 2011, este produto figurou na 21a posição do ranking dos principais produtos exportados pelo Estado e representou 1,27% do total exportado, ou US$ 96 milhões. O mesmo ocorreu com as madeiras de coníferas. Em 2011 representavam 3,2% das exportações e em 2011 participavam com menos de 1%. Outra atividade industrial que perdeu expressão nas exportações foi a de minerais não metálicos. As exportações de revestimentos cerâmicos em 2001 simbolizavam 3,6% das exportações catarinenses. Em 2011, a participação reduziu para 1,4%, aproximadamente.

Tabela 18: Os 10 principais países de destino das exportações de Santa Catarina - 2001 e 2011 (US$ mil FOB).

Países

2001

Participação (%)

2011

Participação (%)

Estados Unidos

713.940

23,57

992.441

11,0

Japão

116.933

3,86

684.398

7,6

Argentina

251.583

8,31

678.511

7,5

Países Baixos

117.385

3,88

640.723

7,1

China

18.281

0,6

410.297

4,5

Reino Unido

173.474

5,73

368.912

4,1

Alemanha

220.411

7,28

367.067

4,1

Rússia

194.907

6,44

287.251

3,2

Hong Kong

51.195

1,69

280.591

3,1

México

69.297

2,29

280.402

3,1

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

Considerando o mercado de destino, os Estados Unidos, em 2011, mantêm-se como o principal mercado de destino das exportações catarinenses, apesar de terem apresentado significativa redução da sua participação ao longo dos anos, conforme expressa a Tabela 18. Em 2001, os Estados Unidos respondiam por 23,6% do total exportado por Santa Catarina. Em 2011, a participação reduziu para 11%. A China passou a ter maior relevância como mercado de destino na última década. Em 2001, 0,6% das exportações catarinenses tinham a China como mercado de destino. Em 2009, a China respondeu por 1,7% das exportações catarinenses, e em 2010, sua participação cresceu para 3,57%, e em 2011, tal país já representa o quinto principal mercado para as exportações de SC, representando 4,5% do total.

O principal produto importado em 2011 foi “Catodos de cobre”, que representou, aproximadamente, 12% da pauta total importada, comportamento semelhante ao ano anterior, conforme expressa a Tabela 19.. Outros produtos relevantes foram polietilenos e polímeros de etileno e fios de fibras artificiais de poliésteres e fios de algodão, que tiveram expressivos crescimentos de importações em 2011. A pauta importadora de Santa Catarina consiste, na maioria, de produtos industrializados. Em 2011, o Estado importou US$ 13,9 milhões em produtos industrializados e somente US$ 952 milhões de produtos básicos.

Tabela19: Principais produtos importados por Santa Catarina - 2001 e 2011 (US$ FOB).

2001

Part %

2011

Part %

1

CATODOS DE COBRE REFINADO/SEUS ELEMENTOS,EM F ..

Não consta

Não consta

1.423.060.142

11,88

2

OUTROS POLIETILENOS S/CARGA,D>=0.94,EM FORMAS ..

633.649

0,07

238.246.540

1,99

3

OUTROS POLIMEROS DE ETILENO,EM FORMAS PRIMARI ..

84.596

0,01

184.125.229

1,54

4

FIO DE FIBRAS ARTIFICIAIS>=85%,SIMPLES

18.445.318

2,14

163.094.208

1,36

5

POLICLORETO DE VINILA,OBT.PROC.SUSPENSAO,FORM ..

5.436.302

0,63

137.467.314

1,15

6

POLIPROPILENO SEM CARGA,EM FORMA PRIMARIA ..

2.680.421

0,31

115.475.444

0,96

7

OUTROS PNEUS NOVOS PARA ONIBUS OU CAMINHOES ..

Não consta

Não consta

121.534.626

1,01

8

FIO TEXTURIZADO DE POLIESTERES.........

18.445.318

2,14

146.114.513

1,22

9

ALUMINIO NAO LIGADO EM FORMA BRUTA

25.965.510

0,22

25.965.510

0,22

10

FIOS DE COBRE REFINADO,MAIOR DIMENSAO DA SEC. ..

113.705.206

0,95

113.705.206

0,95

11

PNEUS NOVOS PARA AUTOMOVEIS DE PASSAGEIROS ..

Não consta

Não consta

118.254.353

0,99

12

POLIETILENO LINEAR,DENSIDADE<0.94,EM FORMA PR ..

106.593

0,01

91.192.730

0,76

13

POLIETILENO SEM CARGA,DENSIDADE<0.94,EM FORMA ..

1.152.067

0,13

58.591.811

0,49

14

GARRAFOES,GARRAFAS,FRASCOS,ARTIGOS SEMELHS.DE ..

1.187.760

0,14

83.698.020

0,70

15

BORRACHA NATURAL GRANULADA OU PRENSADA ..

Não consta

Não consta

58.484.573

0,49

16

OUTROS LADRILHOS,ETC.DE CERAMICA,N/VIDRADOS,N ..

Não consta

Não consta

56.584.411

0,47

17

COQUE DE PETROLEO NAO CALCINADO...

Não consta

Não consta

60.314.542

0,50

18

OUTS.FRACOES DO SANGUE,PROD.IMUNOL.MODIF.EXC. ..

Não consta

Não consta

33.208.706

0,28

19

OUTRAS FORMAS BRUTAS DE CHUMBO REFINADO ..

Não consta

Não consta

79.174.460

0,66

20

OUTRAS LUVAS DE BORRACHA VULCANIZADA,NAO ENDU ..

Não consta

Não consta

68.729.011

0,57

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

Obs. Não consta na lista dos 100 principais produtos.

Tabela 20:- Os 10 principais países de quem Santa Catarina importou produtos - 2001 e 2011 (US$ mil FOB).

Produtos

2001

Participação (%)

2011

Participação (%)

China

20.335.512

2,36

3.977.652.482

26,8

Chile

21.051.239

2,45

1.547.762.296

10,4

Argentina

115.394.544

13,41

1.258.056.449

8,5

Estados Unidos

116.316.483

13,52

987.401.092

6,6

Alemanha

117.222.682

13,63

686.067.029

4,6

Peru

449.288

0,05

546.368.882

3,7

Coréia do Sul

9.466.266

1,10

446.623.379

3,0

Índia

6.108.161

0,71

407.694.047

2,7

Itália

73.639.486

8,56

387.455.777

2,6

México

15.407.230

1,79

288.332.468

1,9

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDIC.

Secretaria de Comércio Exterior – SECEX – Sistema Alice.

5 SÍNTESE CONCLUSIVA

Dentre os países de origem das importações catarinenses, destacou-se, novamente, a China, que aumenta a sua participação no total importado por Santa Catarina a cada ano, segundo registros do MDIC-SECEX. Comparando dois períodos, 2001 e 2011, a Tabela 20 aponta que a China participava com 2,36% do total importado por Santa Catarina, enquanto que em 2011 sua participação foi de 26,8%. Ressalta-se, também, o aumento da participação do Chile, de 2,45% em 2001 para 10,4% em 2011. O aumento da participação destes países significou redução de outros. Dentre os que perderam posição, cita-se a Argentina, pois em 2001 representava 13,41% do total das importações catarinenses, em 2011 sua participação reduziu para 8,5%. Da mesma forma, ocorreram perdas relativas nas importações dos Estados Unidos, Alemanha e Itália, países que outrora eram representativos como fornecedores de produtos para Santa Catarina.

Santa Catarina constitui a 7ª. economia do país, considerando o PIB como variável base de classificação. O PIB de 2010 registrou o valor de R$ 152,5 milhões, representando 4,04% do país e 24,50% da região Sul. Dentre os setores que contribuíram para a constituição do PIB, o setor de serviços é o mais representativo, cujo crescimento nos últimos tempos levou este segmento a alcançar, em 2010, 59,2% do valor gerado. Enquanto que a indústria, no curso do tempo, manteve-se, grosso modo, estabilizada sua participação, alcançando, nesse ano, o percentual de 34,1%. Por sua vez, o segmento que mostrou trajetória decrescente foi a agropecuária, registrando apenas 6,7% de participação. Em comparação com o PIB do Brasil, registra-se, para a maioria dos anos 2000, que o valor alcançado por Santa Catarina evoluiu em menor proporção, tendo como referência um ano base, bem como apresentou menor variação percentual interanual.

O setor agropecuário de Santa Catarina apresenta características produtivas regionais distintas, algumas com registro de especialização e outras com padrão de diversificação produtiva. Entre as principais características produtivas, destacam-se, na mesorregião Oeste, a especialização produtiva em aves, suínos, soja e maçã; na Norte, domínio da atividade produtiva voltada à pecuária extensiva e leiteira, arroz, hortaliças, fruticultura e silvicultura; na Serrana, forte presença do extrativismo madeireiro, reflorestamento, soja, alho e maçã; no Vale do Itajaí, várias culturas presentes, dentre as quais o fumo, arroz, cebola, banana, madeira e leite; na Grande Florianópolis, a atividade produtiva é dispersa e volta-se para a produção de banana, laranja, uva, cebola, fumo, tomate e leite; enquanto que o Sul catarinense dedica-se, sobretudo à produção especializada em fumo e arroz, e à diversificação em outras áreas, como em fruticultura, mandioca e ovos.

A produção, por seu turno, ocorre sob uma estrutura fundiária marcada pela presença significativa de pequenas propriedades agrícolas, cujas atividades desenvolvidas contam com exploração intensiva e por base a mão-de-obra familiar. A distribuição do número de estabelecimentos por ha comprova tal afirmação, pois grande parte dos estabelecimentos, 94%, está concentrada em categorias de menos de 10 ha e de 10 ha a 100 ha. Em paralelo a tal característica, registra-se, ao longo dos anos estudados, a redução do pessoal ocupado na agropecuária catarinense, de 763.501 pessoas registradas em 1970, passou para 571.516 em 2006, sendo que o maior movimento de êxodo rural ocorreu a partir do 2º quinquênio dos anos 80. Em nível de utilização das terras agropecuárias, os dados apontaram redução significativa das pastagens naturais (40% entre 1970 e 2006) e aumento das lavouras permanentes e temporárias, bem como de pastagens e matas plantadas.

O valor bruto da produção dos principais produtos da agropecuária assinalou, em 2008, a cifra de R$ 15,3 milhões, assim distribuídos: lavoura temporária 33,78%; lavoura permanente 4,77%; silvicultura, 6,67%; exploração florestal 0,51% e pecuária, 54,27%. Destaque para a pecuária, na qual a produção de frangos e suínos é referência, sustentada por fortes vínculos com empresas industriais beneficiadoras de carnes, líderes nacionais neste segmento produtivo. Santa Catarina figura, juntamente com o Rio Grande do Sul e Paraná, entre os maiores produtores nacionais destes animais. Em 2010, a produção catarinense possibilitou o Estado posicionar-se como o 1º produtor de suínos e o 2º produtor de aves. A elevada produção doméstica lhe possibilitou, também, figurar como líder na exportação de frangos e vice-líder na exportação de suínos do país.

No setor industrial, a estrutura produtiva apresenta como característica marcante a especialização produtiva e a concentração de empresas em vários segmentos nos espaços territoriais. Contaram vários fatores para tal ocorrência, desde a existência de recursos naturais, mão-de-obra qualificada, capacidade gerencial, incentivos governamentais, respostas empresariais aos movimentos cíclicos da economia, entre outros. Assim sendo, observa-se a presença de indústria especializada no segmento têxtil-vestuário na microrregião de Blumenau; eletrometal-mecânica em Joinville; minerais não-metálicos em Criciúma, Tubarão e Tijucas;calçados em Tijucas; móveis e madeira em São Bento do Sul; e informática em Florianópolis, Blumenau e Joinville, entre outros. O desenvolvimento das atividades econômicas nas áreas de concentração principal se estende para áreas contíguas, aumentando a área produtiva regional, como a eletrometal-mecânica, que avança para as microrregiões de Blumenau e São Bento do Sul, e o têxtil-vestuário, para Rio do Sul, Ituporanga, Itajaí e Joinville.

Em consideração à importância do setor industrial, constata-se que o PIB industrial de Santa Catarina em relação ao PIB industrial do Brasil, em termos relativos, sempre se posicionou acima da participação do PIB catarinense em relação ao equivalente em nível nacional, ao longo dos anos pós-1995 até 2010. No tocante ao VBPI de Santa Catarina, nota-se, a despeito do movimento cíclico ao longo dos anos, tendência à estagnação, pois, passados 14 anos, o percentual alcançado em 2010, em relação ao VBPI do Brasil, não se mostrou elevado, comprovado pelo insignificante aumento de 0,23% no percentual de 2010 em relação ao de 1995. O VTI mostrou comportamento próximo do VBPI, cujo acréscimo de 0,22% entre o valor registrado no início e no fim do período em análise constitui elemento comprovador. A relação VTI/VBPI catarinense mostrou-se inicialmente elevada, posicionando-se acima do percentual nacional, mas a partir do início do 2º quinquênio da primeira década dos anos 2000, ocorreu reversão. A relação VTI/VBPI nacional superou a catarinense, evidenciando que os produtos industriais catarinenses incorporaram valor doméstico menor no processo produtivo do que ocorreu no país.

Ao analisar o VBPI e o VTI por intensidade tecnológica de Santa Catarina em relação ao Brasil, observou-se comportamento semelhante entre tais variáveis. Há predominância do VBPI da indústria fabricante de produtos de baixa intensidade tecnológica, expresso por percentuais superiores aos da indústria de média-baixa, média-alta e alta intensidade tecnológica ao longo dos anos 1996-2010. Tais percentuais foram superiores aos registrados no Brasil, indicando que a maior parte do valor da receita proveniente das vendas procedeu de produto com reduzido conteúdo tecnológico. Esse comportamento se observa, também em relação ao VTI, com os percentuais catarinenses da indústria de baixo conteúdo tecnológico se comportando sempre de forma superior aos indicadores nacionais no total do valor agregado aos produtos fabricados. Por seu turno, no que concerne à indústria de alta intensidade tecnológica, a representatividade do Brasil, tanto no VBPI como no VTI, figurou, em todos os anos, superior à registrada por Santa Catarina, indicando que nacionalmente se fabricam produtos com maior conteúdo tecnológico do que as bases produtivas situadas no Estado.

A magnitude alcançada em termos de representatividade pela indústria de baixa tecnologia foi observada, também, para as variáveis, número de estabelecimentos e pessoal ocupado. Estas registraram números relativos elevados em consonância com os constatados do VBPI e VTI, no período de 1996-2010. Da mesma forma, constata-se comportamento semelhante com a indústria de alta tecnologia, cujos percentuais registrados, tanto para o número de estabelecimento como para o pessoal ocupado, foram menores ao longo dos anos, em relação aos demais segmentos industriais por intensidade tecnológica. Tal posicionamento sinaliza uma característica da estrutura industrial de Santa Catarina: a) elevada representatividade da indústria de baixa intensidade tecnológica; e b) reduzida representatividade da indústria de alta tecnologia. Em comparação com o Brasil, os dados evidenciaram que Santa Catarina se posicionou acima no tocante as variáveis analisadas para a indústria de baixa tecnologia, e se colocou abaixo em relação à indústria de alta tecnologia.

Em termos de caracterização da estrutura industrial de Santa Catarina segundo as divisões do CNAE, verifica-se que os segmentos de cinco áreas de fabricação – produtos alimentícios e bebidas (22,36%); produtos têxteis (7,67%); artigos do vestuário e acessórios (8,25%); máquinas e equipamentos (6,87%); e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,88%) responderam por 54% do VTI estadual no triênio 2008-2010. Tais segmentos também foram os principais representantes na formação do VTI estadual neste triênio, cujos percentuais foram de 16,92%; 8,10%; 10,57%; 6,70%; e 9,27%, respectivamente, totalizando percentual próximo de 50%. Tais percentuais apontaram significativa presença da indústria tradicional – alimentos, bebidas, têxtil e confecção – na estrutura industrial de Santa Catarina. O somatório dos percentuais dos referidos segmentos industriais representou 38,28% do VBPI e 35,59% do VTI no último triênio da primeira década dos anos 2000.

Em relação ao comércio exterior catarinense, este historicamente sempre teve posição de destaque no cenário nacional, porém, nos últimos anos, vem perdendo representatividade. Santa Catarina se posicionou como o 5º. maior exportador nacional (5,1%) em 2001, e passou para a 10º. posição nacional (3,59%) em 2011. Neste quadro, modificou-se, também, o comportamento da balança comercial. As exportações, até o ano 2008, foram superiores às importações, porém, nos anos seguintes, 2009, 2010 e 2011 este quadro se reverteu, levando a balança comercial a tornar-se negativa. Em particular, o valor das importações foi superior em 13,40%; 52,54% e 64,11% ao das exportações nos anos citados.

Dentre os produtos exportados, sobressaem os referentes aos industrializados, representando pouco mais de 50% da pauta exportadora, sendo, inclusive, maior que a participação brasileira neste segmento. Contudo, registra-se, nos últimos anos, o crescimento das exportações de produtos básicos, cuja representação foi de 45% do total exportado em 2011. Os Estados Unidos continuam sendo o principal mercado de destino das exportações, entretanto, os percentuais, ao longo do tempo, têm-se mostrado cadentes, em 2001 a participação americana era de 23,57% e em 2011 foi de 11,0%. Por outro lado, registra-se o crescimento do mercado de destino da China, cujas representatividades foram de 0,6% e 4,5%, respectivamente. No âmbito das importações, os produtos industrializados foram os mais significativos, sendo relevante apontar o crescimento da participação dos produtos chineses na pauta importadora do Estado. A China representava 2,36% do valor dos produtos importados em 2001, e passou para 26,8% em 2011. Da mesma forma, registra-se o crescimento do comércio importador com o Chile, cujos percentuais foram de 2,45% para 10,4% do total para os anos considerados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMPOS, R. et al. Padrão de especialização da indústria catarinense e localização das atividades industriais para identificação de arranjos produtivos locais. In: CARIO, S. A. F. et al Economia de Santa Catarina: inserção industrial e dinâmica competitiva. Blumenau: Nova Letra, 2008, p. 65-112.

CARIO, S. A. F.; LOPES, R. L. Indústria em Santa Catarina: processo de desindustrialização realtiva e perda de dinamismo setorial. In: MATTEI, L.;LINS, H.N. A socioeconomia catarinense –cenários e perspectivas no início do século XXI. Chapecó: Ed. Argos, 2010, p. 197 – 246.

CARIO, S. A. F. et al. Estudos setoriais – PEI – indústria de abate e preparação de carnes – aves e suínos – de Santa Catarina. Relatório de Pesquisa – UFSC- NEITEC/FIESC. 2012. 63 p.

EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA E EXTENSÃO RURAL DE SANTA CATARINA (EPAGRI). Disponível em < www.epagri-rct-sc.br >. Acesso em dez.2012.

FACHINELLO, A. L.; SANTOS FILHO, J. I. Agricultura e agroindústria catarinenses: panorama, impasses e perspectivas do sistema agropecuário. In: MATTEI, L.;LINS, H.N. A socioeconomia catarinense –cenários e perspectivas no início do século XXI. Chapecó: Ed. Argos, 2010, p. 159-196.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Disponível no <http://www.ibge.gov.br>. Acessado em dez. 2012.

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). Disponível no <http://www.desenvolvimento.gov.br>. Acessado em dez. 2012.

OORGANIZATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD) Technology intensity definition: Classification of manufacturing industries into categories based on R&D intensities. ISIC Rev. 3. OCDE - Directorate for Science, Technology and Industry – Economic Analysis and Statistics Division, Jul. 2011.

ANEXO 1

Classificação dos setores por intensidade tecnológica

Setores

CNAE 1.0

Indústria de alta tecnologia (AT)

Aeronáutica e aeroespacial

35.3

Farmacêutica

24.5

Material de escritório e informática

30

Equipamentos de rádio, TV e comunicação

32

Instrumentos médicos de ótica e precisão

33

Indústria de média-alta tecnologia (MAT)

Máquinas e equipamentos elétricos n. e.

31

Veículos automotores, reboques e semi-reboques

34

Produtos químicos, excl. farmacêuticos

24 excl. 24.5

Equipamentos para ferrovia e material de transporte n. e.

35.2 + 35.9

Máquinas e equipamentos mecânicos n. e.

29

Indústria de média-baixa tecnologia (MBT)

Construção e reparação naval

35.1

Borracha e produtos plásticos

25

Produtos de petróleo refinado e outros combustíveis

23

Outros produtos minerais não-metálicos

26

Produtos metálicos

27 + 28

Indústria de baixa tecnologia (BT)

Produtos manufaturados n.e. e bens reciclados

36 + 37

Madeira e seus produtos, papel e celulose

20 + 21 + 22

Alimentos, bebidas e tabaco

15 + 16

Têxteis, couro e calçados

17 + 18 + 19

Fonte: OECD (2011).

Nota: N. e. = não especificados nem compreendidos em outra categoria.